21.5.08

THE SHADOWS

19.5.08

O VENTO E O MAR (Abril 2005)

O vento, o verdadeiro e não uma qualquer brisa passageira e fugaz, segredava-lhe ao ouvido histórias de encantar. Ela ouvia e sorria, deliciada. E oferecia-lhe em troca palavras que ele espalhava pelo mundo com um sopro avassalador.Todos os dias o vento tocava-a, sem contudo a conseguir agarrar. No seu coração em remoinho, a insegurança voava descontrolada de cada vez que a sabia próxima dos que lhe podiam deitar a mão. Algo que o destino o privava de concretizar.E ele bufava a impaciência, agitava-se num temporal, sempre que a imaginava num futuro distante do seu. Longe dela, a revolta, para não a intimidar.

Um dia, quando o vento chegou junto dela para a saudar descobriu-a com um intruso. Era assim que ele o sentia, como uma ameaça, mas nada podia fazer. Ela sorria para o tranquilizar, dizia-lhe que nada mudaria na sua relação. Porém, nesse dia, ela não se interessou pelas histórias que o vento trazia para lhe segredar. Antes ouvia as palavras do intruso, que a seduzia com proezas conversadas e um interesse por ela que a lógica não conseguia explicar.Posso provar-to, dizia ele, com o vento a uivar de raiva nos cumes das montanhas ao longe. O que mais queres que faça por ti? E ela pediu-lhe que lhe explicasse o mar que não conhecia, aquele de que o vento lhe falava nas suas histórias de força indomável e de vontade de vencer.

Dias depois, o intruso regressou. Com uma fotografia das ondas, mais um leitor de cassettes sofisticado que reproduzia o som da rebentação. Ela apreciou deslumbrada, convencida de que sabia agora do que o vento falava quando a encantava num murmúrio.Foi então que o vento decidiu reagir. Com um sopro mais forte, carregou desde a praia uma casca de búzio que depositou aos seus pés. E ela apanhou-o e pôs-se a escutar o som que o vento lhe trazia, sereno e distante, diferente do mar revolto das histórias que ela lhe ouvia contar. O intruso sorria, divertido, perante a imagem patética que o vento recolhera para simbolizar o poder dos oceanos. Mas ela não lhe prestou atenção.

E o vento, que muito a queria, exibiu-lhe o mar como o sentia. E no fim ofereceu-lhe uma flor.

A POSTA FLUVIAL (Março 2005)

Gosto dos rios. Gosto da serenidade com que percorrem o leito nos pontos de sossego que o caminho lhes oferece, tranquilos, e da força descontrolada que os arrasta quando a chuva os engrossa ou o declive os reforça com uma ânsia indomável de galgar. Barragens e montanhas, pontes e fronteiras, nenhum obstáculo que os impeça de prosseguirem na jornada. Apenas adiam o momento, aumentam o tormento, das águas com pressa, atraídas pelo destino que a terra lhes impõe.

Gosto dos rios pela garra com que sulcam um percurso, definem um trajecto até ao ponto de encontro que é alvo da sua determinação. Aprecio-lhes a vontade de o atingir, a certeza feita força que ultrapassa qualquer razão, mais a coragem de se lançarem no vazio, em cascata, quando algures lhes falta um pedaço de chão. Nada os detém, apenas os atrasa. São como animais selvagens que perecem em cativeiro, parecem mansos nas albufeiras, mas espreitam atentos e avançam sem medos quando vislumbram uma boa oportunidade para fugir. E fogem, de facto, a bem ou a mal, dos muros de rochedo como das paredes de betão.

São irreverentes e descontrolados, insolentes e agitados. Mas beijam as margens com carinho, ao longo do caminho até ao abraço, doce com salgado, numa foz em ebulição.

18.5.08

ÁGUA DE TI

Percorri em silêncio o nosso caminho. Só pensei em ti. Em nós também, mas agridem-me as lembranças de um tempo que há muito deixei de viver. Em nós, pensei menos um bocadinho. Lembrei-me de como as árvores no horizonte se transformavam por magia em guerreiros gigantes, guardiões da passagem mais nobre para os montes distantes, mesmo na fronteira do paraíso, quando ainda brincávamos ali. E afinal o paraíso eras tu, bem o sei agora.
Escapa-se das minhas mãos a água do riacho, como por entre os dedos fugiu a última madeixa do teu lindo cabelo negro que tive a sorte de acariciar. O cabelo longo que molhavas com alegria, junto à água que corria. E eu, encostado a uma rocha, olhava para ti e ficava feliz.

Na boca amarga-me amor o acre da saudade, mastigada com solidão. A água fresca do riacho não me adoça o coração azedo e não mata a sede, a que mais me atormenta, muita sede de ti. Mas bebo muita, bebo toda quanto posso, que quando o teu sorriso se fez beijo, chapinhávamos os dois, a água já aqui corria.
Se for a mesma, aquela mesma que te tocava, prometo todos os dias aqui virei, em silêncio pelo caminho, dar à alma a tua boca e à minha boca uma ilusão.

MY BLUE DREAMS

A POSTA ROMÂNTICA (Jan 2005)

Sou um dos raros privilegiados que, pelo menos uma vez na vida, conheceram o amor na sua vertente mais avassaladora. Os mais cépticos, coitados, desdenham da existência desta emoção única que pode nascer de um simples olhar. O amor à primeira vista não é um delírio romântico de telenovela. È possível, é real e constitui uma das impressões mais marcantes da existência de qualquer pessoa.Eu concretizo melhor: receber no peito o impacto desse instante poderoso obriga-nos a reconhecer, entre outras maravilhas, a emergência do romance na vida das pessoas. E utilizo a expressão emergência no seu sentido mais comum: é urgente despertar para a falta que o amor faz.

No preciso momento em que, entre centenas de rostos, o meu olhar se concentrou apenas num, descobri a essência desse impulso irresistível que nos empurra para os braços de outra pessoa. O meu arquivo blogueiro fala por mim no que concerne às muitas fés e ideologias a que nunca me converti. Sou um agnóstico, por regra pessimista e pouco dado a mares de rosas com perfume de utopia. Nesse sentido, nunca acreditei e nunca acreditaria num conceito como o do amor à primeira vista se não tivesse sido abençoado com a sua aparição. De rompante, um rosto de mulher tomou de assalto a minha descrença que outros rostos de mulheres por quem me apaixonei, ou algo parecido, nunca contrariaram. Sem apelo, rendi-me ao halo de luz e nada em meu redor continuou a fazer parte da realidade tal como eu a experimentei na altura.Era ela e mais nada ou alguém. E eu com o coração a galope, desorientado mas com a plena consciência do que me estava a acontecer.

Nada poderia atravessar-se no meu caminho quando furei a custo o mar de gente para me aproximar do ser humano que, até este dia, maior abalo me causou nas fundações. Ninguém poderia disputar a sua atenção nesses minutos de que eu dispunha para entrar na sua vida como ela já se instalara de armas e bagagens na minha. Numa tirada infeliz um amigo colocou-me a seguinte questão: e se eu descobrir um dia que ela é o amor da minha vida e quiser disputá-la? E eu respondi de imediato, falou o coração. Desistes ou morres. E não lhe restava mesmo outra alternativa, enquanto ela me quisesse como eu a queria e viria a acontecer.O amor à primeira vista é como um relâmpago que nos atinge, alta voltagem de uma corrente de paixão. É talvez, tal como faço questão de a recordar até ao fim dos meus dias, o vislumbre mais aproximado que terei de Deus se Ele existir sob esta forma - como gosto de acreditar à revelia da minha apregoada falta de fé.É esse o fundamento da minha perspectiva romântica das relações amorosas entre as pessoas. É por isso que afirmo sem hesitar que a cada esquina da vida, sem qualquer esforço de procura, pode encontrar-se o amor de uma vida.

E quando isso acontece, podem ter como certa uma coisa: a gente percebe na hora do que se trata.

17.5.08

NA PRÓXIMA ESTAÇÃO (Jan 2005)

Ontem estava no amanhã que agora sonho para mim. Nem reparei. Vivi esse tempo sem ter a noção do que tinha. Mas perdi.
Evito lembrar. A melancolia é vizinha da depressão. E correm depressa as notícias nesse prédio devoluto, sito nos bastidores da consciência de cada um de nós.
As recordações de perdas sofridas evocam a saudade. São más companhias. Mais vale só. Ainda que valha pouco uma pessoa doente, infectada pelo vírus da solidão. Pode contagiar qualquer um. E não existe uma vacina, lacuna na medicina, para o desgosto de amor.
Ou outro que seja.
Não existe lugar no mundo para os deserdados do coração.Talvez já tenha existido, mas eu não percebi. Andava distraído, perdido nas vielas do supérfluo quando possuía morada na artéria principal. O meu mal era a falta de orientação.

Encontrei o caminho, entretanto. Tinha partido o comboio quando cheguei à estação. Sentei-me sozinho num banco, à espera da seguinte locomotiva, a que estava para chegar.Ainda não chegou.E eu continuo sentado, talvez venha no dia a seguir.Poderei então reviver, apenas um dia depois, o sonho do que terei no futuro.

Quando der pela falta outra vez.

16.5.08

A POSTA ESCAMADA (11/2004)

Palavra. Assim, quieta, num canto da folha. Sem sentido, à espera da companhia de outras como ela. As únicas capazes de lhe fornecer uma explicação de si mesma, perplexa com a ambiguidade de uma palavra só, quando apenas uma palavra deveria bastar.O sentido que lhe faltava não era uma lacuna no sentido convencional. O sentido, afinal, padecia do mesmo problema. Na condição de palavra e enquanto conjunto de letras que queriam dizer alguma coisa a quem as soubesse ler. Eram vários os sentidos que lhe atribuíam mas ele sentia-se único, atónito com a variedade nas interpretações possíveis para uma palavra só. Como se cada palavra fosse concebida para atrair mais companheiras, e criassem novas expressões, frases completas, parágrafos elucidativos, capítulos de um livro que alguém se orgulharia de publicar. Milhares de palavras reunidas para construírem uma coisa qualquer, importante. Decisiva até.

Palavra. À espera de companhia para poder comunicar melhor. Palavra só. Mas afinal já eram duas. Olha uma palavra só. De repente, a frase brota da boca, descodificada pela mente da pessoa que a compreendeu à sua maneira. Mais vale só? - interroga-se a palavra, intimidada com a falta de privacidade que a presença de outras palavras lhe pode acarretar. Palavras feias, talvez. Más companhias. Abeirou-se de imediato a pessimista e sentou-se à direita da palavra só. A palavra disse não sou. Mas parecia e por isso lhe enviaram o castigo pejorativo de uma péssima conotação. A palavra rotulada de pessimista não estava sozinha outra vez. Mas queria, ou assim julgava, até decidir meditar por algum tempo, a sós.E por isso a deixaram quieta, noutra zona da folha, à espera do que viria, riscos calculados de uma solidão voluntária que a iria (alegadamente) proteger. Receava ser mal interpretada, tinha medo da incompreensão. Palavra que sim, afirmou. Que sim lá ficaram e palavra aprendeu a gostar do novo sentido que o trio lhe conferia. Sentia-se uma palavra melhor. Entretanto aprendeu algo mais, formulou uma hipótese e testou as conclusões.

Palavras. Reunidas em harmonia, perfeitas na combinação. Inequívocas. Porém, palavras é só uma. Artificialmente multiplicada por se travestir num plural. Sem precisar de outras palavras para seguir no sentido que pretendia, individual no ajuntamento, virtual na sua realidade que ambicionava comunicar. Não precisou de uma multidão de palavras para melhor se exprimir, bastou-lhe sintetizar o espírito da união que a sua pluralidade traduzia. E para os bons entendedores, calculava, apenas uma letra bastaria.

WILD WEST


13.5.08

TODAY

12.5.08

DANGER ZONE

10.5.08

THAT SIMPLE...


8.5.08

JUST FLY

5.5.08

CINEMANIA

1.5.08

SUN GLASSES

29.4.08

REFLEXÃO


23.4.08

THE CAGE

21.4.08

THE EYE OF THE STORM

19.4.08

SERPA STONE

17.4.08

MODERN MAN


14.4.08

PROFILER

10.4.08

MUTE


7.4.08

BRANCO ALENTEJO

6.4.08

EUROPA

3.4.08

SNOW BLACK


28.3.08

23.3.08

LOOK UP!

18.3.08

TURN AROUND


16.3.08

À ESPERA DA BRISA

15.3.08

WEBLOG.COM.PT OUTRA VEZ MARADO

E sem qualquer tipo de explicação fornecida pelos seus responsáveis.

Peço a quem possua capacidade para me ajudar a transferir o Charquinho para outra plataforma que me estenda uma mão salvadora.

Estou pronto para sair.

10.3.08

ONDA CURTA


6.3.08

POWERS OF NATURE

4.3.08

FOGO NO CASTELO


3.3.08

ISTO NÃO É COMO COMEÇA...

...Mas é foleiro iniciar a semana sem conseguir aceder ao blogue, sobretudo para avisar comentadores incautos de que tudo o que escrevam irá parar ao espaço.
Já dava para prever quando ontem começou a chover spam, mas fui demasiado optimista e não acautelei o colapso habitual do Weblog nestas circunstâncias (publicando um "aviso à navegação").

Também esta plataforma tem sido bombardeada nos últimos dias e vai-se abaixo com frequência, mas por períodos bem mais curtos do que no Weblog e quase sempre sem afectar a totalidade do funcionamento dos bastidores da cena.

Olhem, bom dia e que a semana vos corra pelo melhor.
:-)

2.3.08

PONTO DE VISTA


29.2.08

UNDER MY SIGHT

26.2.08

H2O

23.2.08

FEAR IS NO EXCUSE


22.2.08

17.2.08

14.2.08

LOVE SHINES

11.2.08

7.2.08

WHITE SPOT

6.2.08

PLEASE DON'T


5.2.08

4.2.08

OUT OF AFRICA

28.1.08

SCARFACE

27.1.08

FREEDOM TALES

23.1.08

I SEE HOPE

22.1.08

AZULADO


18.1.08

LOOPING


14.1.08

FLIGHT PLAN


9.1.08

SIDE SKY

7.1.08

INSIDE AND OUT


2.1.08

CROSSROADS