Soltou o pensamento às feras na arena cada vez mais hostil da sua cabeça demente e cruel.
Amarrotou com as mãos a folha de papel onde recolhera o pretexto para se imolar aos poucos como fazem os loucos quando desatinam.
Gemeu sentado o seu pesadelo acordado, a carta enviada pelo patrão que tomara a difícil decisão de libertar os tripulantes do seu barco a afundar, uma carta registada que comunicava a derradeira martelada, despedimento, na sua parca esperança de dar a volta à situação.
Pesou-lhe a solidão nesse momento de desespero e o pensamento demasiado sincero encurralou-o diante dos leões que só rugiam ameaças e pressões.
Foi então que lhe deu a vontade de fugir, quis ter asas que acabaram por surgir por milagre da sua mente alucinada.
E de repente a janela escancarada do seu quinto andar convidou-o sorridente a aprender a voar.