Mostrar mensagens com a etiqueta Reach For The Sky. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reach For The Sky. Mostrar todas as mensagens

21.9.12

PONTOS DE LUZ


Um dia decidiu avançar com a proposta. Disse-lhe que a achava incrível e que se acreditava capaz de a fotografar de uma forma que a imortalizaria. Ela começou por torcer o nariz, mas a expressão dele acabou por fazê-la sorrir. Nua? – perguntou. Ou não. – respondeu ele, de forma sincera e olhar livre de hesitações.
E ela ficou de pensar no assunto e depois dizer alguma coisa.

Não pensou demais. Ligou-lhe nesse mesmo dia e por ela seria quanto mais depressa melhor, para aproveitar a adrenalina de tal decisão. E ele marcou para o dia seguinte, para ter algum tempo para preparar o espaço e o equipamento necessários.

Ela apareceu e trazia uma expressão divertida, entre a preocupação legítima e a excitação que a sessão fotográfica lhe provocava.
Ele tentou pô-la à vontade, explicou-lhe de forma resumida o cenário, panos pretos ou brancos de fundo e uns quantos projectores, mais o que o motivara a propor-lhe a iniciativa. Detalhou tudo quanto o fascinou na figura daquela pessoa com a qual se cruzava nas ruas e pouco mais. E ela ouviu em silêncio enquanto parecia debater-se com uma decisão complicada e gostou do que ouviu e a blusa foi a primeira coisa que despiu até não restar roupa alguma.

Depois foi aceitando as instruções do homem por detrás da objectiva, empenhado em levá-la a exibir o melhor em si, tratando-a como uma diva, visivelmente entusiasmado com o que via e queria tanto registar.
O gelo acabaria por derreter poucas horas depois e os constrangimentos iniciais desapareceram. Pararam um pouco para conversar e ele notou algo de diferente no olhar e no tom de voz que ela lhe dirigia. Escassos segundos de silêncio bastariam para ambos sentirem a tensão no ar e ele sentiu-se obrigado a respeitar um código de conduta qualquer e propôs retomarem a sessão.

Mas ela parecia ter tomado mais uma decisão entretanto e ele por detrás da câmara percebia a diferença no olhar e nas expressões e sentia a tentação que prometera a si próprio renegar mas não conseguia. Tudo aquilo que via, cada instante mágico que ela proporcionava era um passo acima que ele se permitia na atracção que se revelava cada vez mais inequívoca e ele a tremer por dentro pelo receio de uma má interpretação de alguns sinais.
Ela, intuitiva, já procedera à libertação de amarras artificiais e estava decidida a levar ao limite a experiência que a agradava como nunca imaginara. E o fogo que ele entretanto acendera quase sem querer começava já a arder nas imagens que ele capturava na cabeça também.

Pousou a máquina e perguntou-lhe, olhos nos olhos, se podia humedecer-lhe os mamilos para obter um efeito diferente, um brilho especial num pequeno ponto de luz.
Ela, sentada no chão, agarrou a janela de oportunidade e estendeu uma mão, começou a passear os dedos no cabelo do fotógrafo amador que se deixou ficar ajoelhado, bem perto do corpo que já quase conhecia como as palmas das suas mãos, cartografado na memória em cada pormenor.
Quando ela começou a puxá-lo para si sem pressas ele traçou a rota para os lábios que ela mordia a si própria.
Só a meio do caminho percebeu que ela preferia um atalho e foi para o seu peito generoso que encaminhou o beijo que lhe consentiu.

E esse seria apenas o primeiro ponto de luz no corpo inteiro que ele humedeceu.

10.9.12

MUITO PARA ALÉM DE TI


Um nome.
Duas datas.
Um espaço em branco.

E o silêncio em redor de tudo aquilo, como se fosse preciso calar a vida para lá dos muros bem altos que o cercavam agora.
Muros brancos, muros limpos de palavras, silenciosos eles também como guardiães de um território que era terra de ninguém quando a noite aparecia e fechavam os portões à vida que os visitava, os nomes, as datas e os espaços em branco que durante o dia muitas pessoas tentavam ali preencher, com lágrimas, com sorrisos, com memórias, com emoções que eram histórias por contar.

Um nome.
Duas datas.

A pessoa arquivada no ficheiro terminal, o dia do início da caminhada mais o dia da transição final. Ou talvez não. E entre esses dias toda uma vida que é agora o espaço em branco entre datas que contraria a escuridão que a saudade obriga a pintar.
Mas cada lembrança é um pedaço de cor, um conjunto de palavras que podem ser gravadas na pedra com o cinzel da imaginação.
Histórias de vida com nome e com rosto, lágrimas e sorrisos, memórias e emoções acontecidas lá fora, para lá daqueles muros brancos que a noite escurecia como se a luz tivesse naquele lugar o mesmo efeito perturbador que o som.

Um nome.
  
Escrito com tinta preta mesmo por cima do espaço (em) branco onde ninguém conseguiu resumir tudo aquilo que se passou com aquela pessoa entre as duas datas que a identificam enquanto pedaço de tempo com um princípio e com, talvez, um fim.
O amor que lhe dedicaram, os ódios que inspirou. Tudo aquilo que se passou entre datas, experimentado por quem lembra e por quem já possua também duas datas depois do nome e de um espaço por preencher com o desgosto de uma mulher ou de um homem esmagados com o fardo de resumir o que aquela pessoa valeu, tudo ou nada, agora que se perdeu, num espaço reduzido que não serve o propósito quando a pessoa em vida se agigantou entre a data que marcou o início da jornada e a data em que acabou a estrada que aquela existência percorria.

E para contar a sua história, um só livro não bastaria.

15.6.11

SOLUÇÃO DE COMPROMISSO

Elas não se queriam, mas ambas o cobiçavam. Beberam em grupo e depois deitaram-se os três.
E ele, desenfreado pela fantasia que naquela noite cumpria, deambulou pelos dois corpos como se o dia seguinte não fosse nascer.
Elas não se quiseram, mas ambas o tiveram tantas vezes quantas lhes apeteceu.
E ele alternou, deliciado, enquanto durou aquele passeio prolongado, a três, pelo céu.

9.4.11

FORÇA DE ELITE

Se quiserem ameaçar a felicidade que afirmas, faz peito, abre-lhes o coração de par em par, prova-lhes que não desaprendeste de amar e com isso derrota qualquer manifestação do mal com a força que afinal reconheces nesse peito que desguarneces sem medo dos que conspiram em segredo contra tudo aquilo que os hostiliza porque jamais o conseguirão entender.

24.7.10

SO WHAT?

Os dias são muito melhores quando tenho a minha filha por perto.

4.6.10

ALEGRIAS

A felicidade pode fazer-se de coisas tão simples como um sms que nos garante que alguém querido chegou bem algures.

31.5.10

OS FACTOS EM APREÇO

Não há como (re)negar um amor quando este se manifesta em todas as ocasiões que lhe são dadas.

24.5.10

THE VOICE

Um som, uma voz.
O sangue que corre veloz, bombeado pelo coração que escuta com atenção para depois reagir acelerado pelo ouvido apaixonado que lhe transmite esses sinais sonoros combustíveis de foguetão.
Um som, uma voz, uma emoção que entra em nós com a força inusitada da alegria que nos é dada no privilégio de escutar.

A voz do amor a acontecer num som tão intenso, tão belo, que renegamos qualquer hipótese de algum dia emudecer.

9.4.10

SEXO ORAL...

...Soa sempre melhor do que por escrito.

17.3.10

EXPLOSÃO

Às vezes basta uma pequena faísca saída de um olhar, um sorriso de encantar, para provocar a ignição de tudo aquilo que no coração fermenta.


25.1.10

AMBIÇÕES

Conseguir trepar para o próximo patamar.

20.11.09

ESSA TU

Esse teu corpo estendido, esse teu corpo rendido a mim.
Esse teu olhar incendiado, esse teu olhar que me chama assim.

Esse teu corpo cansado, esse teu corpo transpirado que me seduz.
Esse teu olhar iluminado, tão puro, esse teu olhar endiabrado que rasga o escuro com a sua luz.

5.11.09

STEP BY STEP

Cada.
Vez.
MAIS.

2.11.09

É TEU O BEIJO QUE ELE TRANSPORTOU

O vento insiste em soprar e a minha imaginação persiste em acreditar que se trata de um desejo que se concretizou.

1.11.09

ESTÁS

Em mim.

31.10.09

INESQUECÍVEL

O primeiro beijo.

22.10.09

(AM)ARTE

Tinhas a cor da alvorada, essa cor pelo sol pintada ao nascer, quando conseguiste adormecer ao meu lado, depois de tanto tempo passado numa tela branca, lençol, desenhando a dois o contorno de corpos saídos de um forno, humedecidos pelo orvalho dos suores trocados, dos tons misturados na paleta de um amor tão colorido como o arco-íris que vi nascer no teu olhar quando começaste a lacrimejar de felicidade, pouco antes da madrugada partir e as nossas sombras surgirem na parede do quarto como traços de lápis de carvão.

E tu a dormir com a cabeça pousada onde me bate o coração.

21.10.09

O GÉNIO DA BOLA

Um tempo distante, um tempo amante num futuro por conhecer, num amanhã que sinto fundamental.
Mas neste presente a acontecer (que não tenho como lhe resista) acaricio, optimista, a minha bola de cristal.

8.10.09

QUERO SENTIR ASSIM

Ouço um grito nessa noite, um grito bem forte. E vejo brilhar uma luz nesse olhar e percebo a sorte que tenho por ser meu o privilégio de assistir ao momento em que te faz rir não aquilo que se diz mas o facto de te sentires feliz por seres minha nesse tempo que celebras com o grito que ouço nessa noite em que te faço coisas que não te importas de repetir enquanto a vida nos permitir e me disseres anda cá.

Enquanto o amor que fizermos jogar certo com o que sentimos e aquilo que ouvirmos for um grito ou mesmo um gemido pelo prazer acrescido que cada noite nos dá.

9.9.09

HÁ DERROTAS

Que nunca conheci. Nem pretendo conhecer.
Tenho que manter a mesma postura competitiva. Ou melhor.